Mosteiro da Santa Cruz

Mosteiro beneditino tradicional em Nova Friburgo/RJ

Torre da capela

Boletim da Santa Cruz Nº 47

Torre da capela

 

 


BOLETIM

DA

SANTA CRUZ

Nº 47

ABRILDE 2011

 

 

 

 

 

 

 

Caros amigos e benfeitores,

 

Graças às irmãs do Instituto Nossa Senhora do Rosário nosso colégio foi reaberto com as cinco primeiras séries do primeiro ciclo.

Vindas de Anápolis de uma comunidade em pleno crescimento, elas chegaram em Friburgo no dia 21 de dezembro. Sem perder um minuto, elas começaram os preparativos para a reabertura do colégio. Tanto a parte administrativa como as dependências do colégio necessitavam de reparos que só um esforço contínuo e intenso poderiam realizar num prazo tão curto, já que queríamos iniciar as aulas no início de fevereiro.

Graças a Deus, os auxílios não faltaram, nem da parte da Inspeção Escolar, nem da parte dos pais de alunos, dos amigos e dos profissionais contratados. Agradecemos especialmente a generosa ajuda dos benfeitores, sem a qual nada poderia ter sido feito.

Nosso colégio, por hora, não pode cobrar mensalidade devido aos seus estatutos. Além disso, temos algumas crianças cujos pais não podem arcar com uma contribuição à altura das despesas do colégio. Nossa folha de pagamento embora não seja muito elevada é maior que nossos rendimentos atuais. Agradecemos a todos que puderem nos auxiliar nesta obra com uma pequena contribuição mensal, por pequena que seja. Uma das irmãs exerce a função de diretora, outra de secretária e uma terceira de professora da 5ª série, o que facilita grandemente o funcionamento do colégio.

Que os santos padroeiros do Instituto Nossa Senhora do Rosário, São Domingos de Gusmão e Santa Catarina de Sena, obtenham de Deus, juntamente com São Bento e Santa Escolástica, todas as graças necessárias para que este empreendimento dê frutos, trinta, sessenta ou cem por um, como diz o Evangelho.

 

Dom Prior

 

 

 

DOUTRINA

O conhecimento de Deus, sol da alma

O conhecimento de Deus, crescendo em nossa alma, faz crescer a própria alma; este conhecimento a ilumina e a torna fecunda em boas obras.

Toda a vida racional procede, como a árvore que sai da semente, de duas noções fundamentais, a noção de causa e a noção de fim. Subir dos efeitos à causa é o próprio da vida intelectual; agir para um fim, é o próprio da vida moral.

Ora, Deus é, ao mesmo tempo, a causa suprema da qual tudo procede e o fim último para o qual tudo converge. Desta dupla qualidade de causa e de fim Deus preside, do alto de sua majestade infinita, a todos os atos de nossa vida intelectual e moral. Seu conhecimento é indispensável para o desenvolvimento de nossa alma.

1º – Este conhecimento da causa suprema de todas as coisas que é Deus é o sol de nossa vida intelectual. Quando nós falamos de vida intelectual estamos falando da vida de todos os homens, quaisquer que sejam. Jacinta de Fátima, pequenina que era, tinha bem viva esta vida da inteligência como se pode ver pelas respostas e considerações que ela fazia. Muitas vezes são as pessoas mais simples que demonstram mais sabedoria quando consideram tudo a partir da luz da Fé que ilumina nossas almas. Estas almas têm uma vida intelectual que tem um nome: sabedoria.

À medida que nossa razão aprofunda a causa universal de todo ser, ela se dá conta da harmonia do mundo, das leis que regem o universo, das relações entre os diversos seres que o compõem, do encadeamento das causas segundas (ou seja, da ação das criaturas) que concorrem à atividade infinitamente fecunda de Deus.

2º – O conhecimento de Deus como fim de nossas ações é a bússola da vida moral. Deus, como bondade suprema, é o fim (objetivo último) de toda criatura. É para Deus que devem tender todos os atos de nossa vida. É, por comparação com Deus, que nós julgamos do grau de bondade de todas as coisas e portanto da bondade de cada um de nossos atos.

Assim não devemos nos espantar se Santo Tomás nos diz: “A primeira coisa que se apresenta à criança quando ela atinge a idade da razão, é de pensar em Deus como sendo o fim supremo ao qual tudo deve ser ordenado” (Iª Iae Q LXXXIX a 3 ad 3um). Que aconteceria então se o homem estivesse numa ignorância absoluta em relação a Deus? Aconteceria que, semelhante aos animais, ele não gozaria nunca de uma vida verdadeiramente e propriamente racional. Pois, o que é o homem agindo como ser racional, senão o homem tomando posse de sua vida e a ordenando a um fim? Ora, como o homem poderia estar em condições de determinar um objetivo à sua existência, se ele ignorasse a Deus, que é o fim[1] de todos os seres? Neste estado, sua consciência permaneceria sem bússola e, apesar de possuir uma noção confusa de bem e de mal, ele não saberia discernir o verdadeiro bem nem o verdadeiro mal.

Nos é difícil sondar a profundidade das trevas onde permaneceria uma alma que não conhecesse a Deus, precisamente porque tendo nascido numa sociedade cristã, nós não podemos sequer imaginar o que seria uma sociedade absolutamente sem Deus.

Mas lancemos os olhos sobre os povos selvagens cujo extremo grau de degradação nos enche de espanto e horror. Nós podemos constatar aí o obscurecimento da noção de Deus. E entre esses povos esta noção de Deus não desapareceu, mas foi somente alterada, materializada. Estes selvagens têm vagamente a idéia de um Ordenador, um Organizador supremo do qual fala Santo Tomás.[2]

Para conceber o que se tornaria o homem absolutamente isolado de toda noção de Deus é necessário descer ainda mais e descer até o nível dos animais. É a faculdade de conhecer e de amar o seu Criador que estabelece a demarcação a mais essencial entre o homem e o animal. O animal imita por instinto as obras da razão, como construir um ninho ou como juntar provisões e dividir as tarefas como se vê entre as formigas. No entanto o animal é radicalmente incapaz de rezar e de adorar. A distinção entre homem e animal já está na razão mas é sobretudo no fato de poder se elevar a Deus pela oração e a adoração que se vê toda a diferença entre os homens e os animais.

Ao contrário, quanto mais o conhecimento de Deus cresce e se separa dos erros grosseiros, mais a alma se torna espiritual e mais o homem se eleva e se aproxima dos anjos, mais também a sociedade humana entra em posse da verdadeira civilização e da verdadeira liberdade. Pois não há senão a verdade que nos torna livres, diz Nosso Senhor.

Com a pregação do Evangelho, com a difusão da verdadeira Fé se realizou, sobretudo na Europa, nos séculos passados o que havia sido predito pelos profetas: “As feras, diz Isaías, não terão mais o poder de causar danos nem de matar sobre a montanha santa, porque a terra ficará repleta do conhecimento de Deus, como as ondas de um mar transbordante.” (Is. XI, 91).

“O homem, diz Jeremias, não terá mais necessidade de ensinar ao seu próximo ou a seu irmão, lhe dizendo: ‘Aprende a conhecer o Senhor.’ Pois todos, diz o Senhor, lhe conhecerão, do menor ao maior” (Jer. XXXI, 34).

Já houve tempos em que estas profecias eram uma realidade, ou melhor, em que os homens viveram de uma maneira em que este conhecimento de Deus era presente na vida das nações, como foi, por exemplo, no tempo de São Luiz, rei da França.

Hoje, infelizmente, procura-se instituir uma educação em que o conhecimento de Deus está ausente, ou profundamente deformado.

Só a Fé nos permite conhecer realmente a Deus, a Fé verdadeira, virtude infusa por Deus em nossas almas. As falsas religiões não nos permitem conhecer a Deus realmente e não conduzem a Ele.

Conclusão prática:

Devemos refletir a respeito do momento tão solene em que a alma da criança, ao chegar à idade da razão, deve escolher a Deus como seu fim último. Neste momento a criança toma por assim dizer, posse de si mesma, e deve se entregar a Deus.

Padres, professores, catequistas, pais e mães devem pelas aulas, conselhos, exortações e exemplos, preparar este momento em que a alma da criança vai se posicionar em relação a Deus.

Dá-se, com toda razão, uma importância toda especial à primeira vinda de Jesus Sacramentado no coração da criança. Mas devemos dar também grande importância a este momento em que a alma da criança se voltará para Deus como para seu fim último ou dar às costas para Ele, preferindo a criatura ao Criador.

Devemos rezar e ajudar as crianças para que elas entrem na idade da razão através de um ato de amor de Deus!

 

(texto do Rev. Pe. Emmanuel André com pequenos retoques)

 

Crônica

8 de dezembro – Imaculada Conceição

Bela cerimônia no Instituto Nossa Senhora do Rosário na qual cinco irmãs fazem seus primeiros votos temporários, três postulantes recebem o véu de noviças e uma irmã renova seus votos.

Dois monges de Santa Cruz participam da Cerimônia.

19 de dezembro

Missa de sétimo dia em São José dos Campos pelo repouso da alma de Maria Esperança Silva, irmã do Frei Pacífico, Capuchinho de Morgon.

21 de dezembro

Chegada das irmãs do Instituto Nossa Senhora do Rosário: Irmã Maria Francisca, Irmã Maria Teresa, Irmã Maria Cecília, Irmã Maria de Lourdes, e as noviças: Irmã Camila, Irmã Isabel e Irmã Cristina.

24 de dezembro

Chegada de amigos de Abagé, na Bahia. Grupo de jovens interessados pela Tradição.

27 de dezembro

Pré-matrículas para o colégio São Bento e Santa Escolástica. Para começar, duas crianças: Maria Helena e Paulinho.

28 de dezembro

Visita de Dona Meire e Suzana de Maringá – PR.

31 de dezembro

Os monges renovam seus votos no final de nosso retiro anual.

1º de janeiro

Missa cantada com a presença do Prof. João Carlos Rosolini que se ocupa de um coral de meninos em Santa Luzia em Minas Gerais.

O Prof. João Carlos fica alguns dias conosco e nos dá excelentes aulas de canto assim como às irmãs do Instituto Nossa Senhora do Rosário.

4 de janeiro

Distribuição dos cargos para o ano de graça de 2012. Como resolução de comunidade para este ano: o bom zelo.

8 de janeiro

Chegada de hóspedes de Recife, o coronel Jessé e seu filho, Paulo.

12 de janeiro

Chegada de Raul de Maringá que se prepara para partir para Avrillé com dois outros amigos, Luiz Carlos e Renan, para ingressarem na Ordem de São Domingos.

23 de janeiro

Chegada do Rev. Pe. Ernesto Cardozo que vem para as confissões extraordinárias.

24 de janeiro

Partida do Pe. Cardozo que nos faz à tarde uma conferência sobre os corpos incorruptos.

Chegada do Pe. Fernando assim como do Luiz e Renan, do grupo de Maringá.

26 de janeiro

Partida do Pe. Fernando após ver as irmãs e dar-lhes os conselhos necessários para que prossigam a sua bela vocação de formar as inteligências e corações das crianças no conhecimento e no amor de Deus.

14 de fevereiro

Chegada da superiora das irmãs Rosarianas, Irmã Verônica acompanhada pela Irmã Maria do Perpétuo Socorro.

15 de fevereiro

Partida de nossos amigos de Maringá para a França, rumo à Avrillé.

 

Nota do Celeireiro

 

As reformas no colégio São Bento e Santa Escolástica alegram o coração das crianças de nosso colégio mas não deixam de ser uma dor de cabeça para o celeireiro que deverá assegurar as novas despesas.

O corte de uma floresta de eucaliptos deve nos trazer algum alívio. São José fará o resto, se, à sua ajuda, nós acrescentarmos nossos constantes esforços.

A todos os que puderem ajudar-nos, nossos agradecimentos e a promessa de nossas orações. Uma missa será rezada mensalmente pelos benfeitores do colégio.

Que Nosso Senhor seja a recompensa de todos nossos amigos e benfeitores.

ir. Celeireiro

 

 

 


[1] Fim aqui significa objetivo, bem, pois o bem é aquilo que todo ser procura e Deus é a fonte de todo bem e portanto o fim de todos os seres.

[2] O autor, que escreveu este texto no século XIX, diria certamente que nossa sociedade atual se aproxima cada vez mais deste estado dos selvagens nos quais a noção de Deus está alterada, materializada e, o que é pior, anulada em muitos casos.

Isto explica certamente o porque do grande número de adolescentes de hoje que se entregam ao uso de drogas, não conhecendo o fim para o qual eles foram criados.

Boletim da Santa Cruz

admin • 17 de abril de 2012


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