Mosteiro da Santa Cruz

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“Os Filhos da Viúva” – Demolindo as Pilastras do Perenialismo

Fonte: Borboletas ao Luar

Os Filhos da Viúva” – Demolindo as Pilastras do Perenialismo – parte I

Posted: 06 Jun 2017 08:33 AM PDT

por André F. Falleiro Garcia

O público católico brasileiro em geral não acompanha as grandes polêmicas e não se informa sobre o que se discute nos meios intelectuais europeus. Por isso, a meu ver, é importante publicar algumas informações que são não apenas úteis, mas mesmo indispensáveis, para que esse público não seja manipulado pelos gurus do perenialismo.

Começo por traduzir uma resenha, do escritor católico francês Jean Vaquié, sobre o livro de Jean-Claude Lozac’hmeur, intitulado “Fils De La Veuve: Essai Sur Le Symbolisme Maçonnique” (“Os Filhos da Viúva – Ensaio Sobre o Simbolismo Maçônico”). Sua primeira edição foi publicada por Éditions Sainte Jeanne d’Arc, 1990. A segunda edição revista e completa foi publicada em 2002 por Éditions de Chiré, com o título “Fils de la Veuve – Recherches Sur L’Ésotérisme Maçonnique” (Os Filhos da Viúva – Pesquisas sobre o Esoterismo Maçônico). Lozac’hmeur é um escritor e historiador medievalista francês nascido em 1940 e autor de vários livros. O autor da resenha, Jean Vaquié (1911-1992), foi um escritor e conferencista francês, católico tradicionalista, que tratou da gnose, René Guénon, seitas secretas etc..

A Tradição Primordial tem sido louvada e a Tradição da Igreja Católica tem sido apresentada como inserida nesse saber que remonta às origens da humanidade. É um embuste! A Tradição Católica ensinada pela Igreja Católica e a Tradição Primordial ensinada pela Escola Perenialista, também chamada de Escola Tradicionalista ou Filosofia Perene, são INCOMPATÍVEIS. Conforme a expressão francesa, elas são coisas que “hurlent de se trouver ensemble”. Confira o leitor a seguir.

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Os Filhos da Viúva” – Resenha por Jean Vaquié.

Tradução: André F. Falleiro Garcia.

A obra que acaba de publicar [1990] o professor Jean-Claude Lozac’hmeur, nas Edições Sainte-Jeanne-d’Arc, sob o título “Os Filhos da Viúva”, começa a ser comentada. Vamos explicar o motivo..

O autor, por meio dos próprios documentos maçônicos, expõe primeiro, para os leitores pouco habituados com esses temas, a lenda de Hiram, que simboliza e sintetiza a filosofia e o programa da maçonaria. Em seguida, ele se dirige, no resto do livro, para um público já familiarizado com os problemas das lojas.

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Uma das primeiras noções apresentadas aos neófitos maçons consiste em lhes ensinar que eles são os sucessores espirituais de um herói que teve o seu pai assassinado. E que eles são os “filhos da viúva”. Seu pai espiritual é Hiram, o arquiteto do Templo de Salomão, abatido por três companheiros que teriam querido, mas em vão, arrancar dele os segredos da construção. Os iniciados de hoje devem, em consequência, praticar uma justa vingança e exterminar espiritualmente os descendentes espirituais dos assassinos de seu pai espiritual. Desse modo, eles se tornam os construtores do Templo inacabado e, em última análise, os restauradores da Idade de Ouro sobre a terra..

Este tema – do filho órfão que traz de volta a Idade de Ouro ao matar espiritualmente o assassino de seu pai – o professor Lozac’hmeur vai encontrá-lo, embora muitas vezes muito distorcido, mas reconhecível, no entanto, na grande maioria das lendas mitológicas da antiguidade. Ele fornece um inventário detalhado dessas diferentes versões que, tanto quanto sabemos, nunca tinha sido feito..

Não estamos mais na presença de meras afirmações dos historiadores maçônicos que transmitem a tradição das lojas com um lirismo grandiloquente. Agora, Lozac’hmeur coloca diante dos nossos olhos os relatos lendários, diversificados, mas rigorosamente autênticos quanto as suas fontes..

O relacionamento da maçonaria com os mistérios antigos – que vai muito além do que tiveram as antigas corporações de ofício que se tornaram “operativas” –, já não pode ser posto em dúvida..

O que é novidade, no trabalho de Lozac’hmeur, é o seu esforço de erudição que nos proporciona a prova. Mas então, pode-se dizer, se Lozac’hmeur não faz senão confirmar, pela exatidão de seu trabalho, uma tese maçônica que data da própria fundação dessa sociedade iniciática, ele corre o risco de ser apontado como um historiador maçom. Absolutamente não! Ao observar o panorama das lendas pagãs, ele nota a existência, não apenas de uma única tradição antiga, mas de duas tradições, distintas e mesmo antagônicas: a tradição bíblica e a tradição gnóstica..

Vamos inicialmente, tanto quanto podemos, resumir a tradição bíblica. Ela está contida no texto do Gênesis. Um Deus bom criou o homem no estado de felicidade paradisíaco. Um demônio mau (a serpente) o faz decair e o homem se vê expulso do paraíso e obrigado a arrastar doravante uma existência efêmera e penosa. Mas o Deus criador, por sua vez justo e bom, promete a redenção (Proto-evangelho)..

Na outra tradição, fundamentada na primeira, mas com um sentido inverso, um deus benfeitor da humanidade (a serpente do Gênesis) quer conceder ao homem o benefício do “conhecimento”. Este deus benfeitor é portanto o verdadeiro pai do homem. E o “conhecimento” [a gnose, no grego], indispensável para a vida feliz, é sua verdadeira mãe. Mas eis que um deus tirânico, querendo conservar para ele unicamente o “conhecimento”, condena o herói benfeitor (a serpente) que se torna assim uma vítima inocente. Quanto ao “conhecimento”, privada de seu marido que é a serpente, ela se torna viúva. Não resta mais ao homem senão matar [espiritualmente] o deus tirânico e injusto que realmente se tornou o assassino de seu pai e desse modo trazer à terra o “conhecimento” e a Idade de Ouro..

Essas duas tradições, tão antigas uma quanto a outra, representadas em nossos dias, uma pela Igreja e a outra pela maçonaria, são radicalmente incompatíveis, porquanto Lozac’hmeur várias vezes ressalta que elas não reconhecem a mesma divindade.

.De nossa parte, é-nos particularmente gratificante encontrar, em um jovem professor e escritor, esta saudável e antiga doutrina, defendida com rigor inteiramente acadêmico. É ela que sempre sustentamos em Lectures e Tradition. Compreende-se que, por defender o oposto das ideias que são comumente transmitidas, o livro “Os Filhos da Viúva” comece a ser comentado.

Desejamos longa e bem sucedida carreira para esse excelente livro e aguardamos com interesse, do mesmo autor, as suas futuras obras, à espera que prossigam na mesma linha.

Jean Vaquié

Os Filhos da Viúva” – Demolindo as Pilastras do Perenialismo – parte II

Posted: 07 Jun 2017 08:34 AM PDT

Por André F. Falleiro Garcia

Depois de aqui ter publicado uma resenha de Jean Vaquié sobre a primeira edição do livro “Os Filhos da Viúva – Ensaio sobre o Simbolismo Maçônico”, venho complementar essa publicação com a tradução do comentário de Ivan Kraljic sobre a segunda edição da mesma obra, lançada dessa vez com o subtítulo alterado: “Os Filhos da Viúva – Pesquisas Sobre o Exoterismo Maçônico”.

Insisto mais uma vez: a Tradição Primordial tem sido louvada pelos perenialistas e a Tradição da Igreja Católica tem sido apresentada por eles como inserida nesse saber primordial que remonta às origens da humanidade. É um embuste! A Tradição Católica ensinada pela Igreja Católica e a Tradição Primordial ensinada pela Escola Perenialista, também chamada de Escola Tradicionalista ou Filosofia Perene, são INCOMPATÍVEIS. Conforme a expressão francesa, elas são coisas que “hurlent de se trouver ensemble”. Confira o leitor a seguir.

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Os Filhos da Viúva” 

Por Ivan Kraljic 

O livro de Jean-Claude Lozac’hmeur, “Fils de la Veuve” (Os Filhos da Viúva – Pesquisas sobre o Exoterismo Maçônico”, 2º. Edição, 2002), tira a máscara atrás da qual se esconde a seita maçônica. Lozac’hmeur é um especialista em mitos, professor emérito da Universidade de Rennes II. “Os Filhos da Viúva – Ensaio sobre o simbolismo maçônico” (1º. Edição) está na segunda edição, revista e completa, de uma obra com o mesmo título lançada em 1990. Lozac’hmeur é também autor (com Bernaz de Karer) de “De la Révolution” (Éditions Sainte-Jeanne d’Arc, 1992), onde ele analisa o objetivo e a estratégia da Revolução.

Em “Os Filhos da Viúva”, comparando as crenças e ritos maçônicos com as antigas religiões ou mitos pagãos, Lozac’hmeur responde às questões fundamentais: De onde vêm os rituais grotescos da iniciação maçônica? Quem é a viúva da qual os maçons se pretendem filhos? Quem é o arquiteto, a quem os maçons querem vingar? Sabemos qual é o objetivo da seita maçônica e a obra por ela realizada dá testemunho disso. No plano temporal não há mais países católicos; no plano espiritual, a crise da Igreja, com estragos incalculáveis, prossegue sem cessar. Partindo do zero, a seita maçônica empreendeu e realizou tudo, metodicamente, pacientemente, incansavelmente. Todos os obstáculos foram derrubados, as monarquias católicas, o poder temporal da Igreja, a própria Roma finalmente sucumbiram sob a infiltração maçônica. Três séculos de atividade maçônica deixaram o mundo em ruínas. Com certeza tal obra de destruição não é humana.

A franco-maçonaria, tal como existe hoje, apareceu recentemente, ela começou a se organizar e crescer no início do século XVIII. Seus rituais e crenças aparecem também como novidades aos olhos profanos. Mas Lozac’hmeur demonstra que não é bem assim. Sua análise de 53 mitos provenientes de todas as civilizações e de todos os países (a busca do Graal, Jason e os Argonautas, Osíris, Prometeu, Krishna, estão entre os mitos mais conhecidos) revela a existência de um núcleo comum universal: a história do filho da viúva que deve vingar seu pai, após descobrir sua própria identidade e a do assassino de seu pai. A ligação com a maçonaria é evidente. Entretanto, Lozac’hmeur não se limita a isso, mas decifra esses mitos e símbolos para descobrir o seu sentido oculto: é uma religião dualista coerente, opondo “um Deus civilizador” (o pai assassinado), amigo dos homens, a um “Deus mau” (o assassino), seu inimigo. Este último, para punir os homens por se terem apropriado do Conhecimento (a Viúva), provoca o Dilúvio e se volta contra seu rival, culpado de tê-la transmitido aos humanos (Prefácio, p. 12). Os filhos da Viúva – os iniciados nessa religião – trabalham a fim de destronar o “Deus mau” e de instaurar o culto do “Deus bom”.

Quanto à identidade dos dois “Deuses”, ela é transparente. O “Deus bom” é Satanás, o “Deus mau” é o verdadeiro Deus, a Santíssima Trindade. Satanás transmitiu aos homens a ciência do bem e do mal, e Deus, que puniu os homens culpados, também castigou Satanás. Os filhos da viúva, os iniciados, portanto, trabalham para vingar Satanás contra o bom Deus.

O fato essencial, demonstrado pelo estudo de Lozach’hmeur, é que a maçonaria, intrinsicamente e desde o seu início, é a religião de Satã. Essa falsa religião, que pretende ser a verdadeira, está presente em todos os tempos e todos os países. Desde a origem do homem, com efeito, se transmite secretamente a história da queda de Adão e Eva e de sua expulsão do paraíso terrestre. Essa história é ocultada sob a forma de mitos e de símbolos, e somente a iniciação ritual permite obter a sua interpretação. Ela é, sobretudo, falseada, deformada, porque Deus é apresentado como inimigo dos homens, e Satanás como o amigo que lhes trouxe o conhecimento. Essa contra-tradição se confronta com a verdadeira tradição, a dos adoradores do Deus vivo. “Tudo se passa como se a humanidade primitiva se tivesse dividido em dois campos, tomando cada um o partido de seu Deus” (p. 137).

Se a religião de Satã é única, sua “Igreja” tomou vários fisionomias, a maçonaria não é senão uma forma recente. Acusar a seita maçônica de todos os males é, pois, uma coisa incompleta: sua responsabilidade é certamente imensa, mas o complô é mais vasto. De outro lado, salvo raras exceções, o culto satânico sempre foi clandestino; ele se ocultou sob os símbolos e os mitos que Lozac’hmeur decifrou. Mesmo nos tempos do paganismo, onde o culto dos ídolos era a religião oficial, a “crença em Lúcifer” (Albert Pike) era secreta.

A importância do livro de Lozac’hmeur é tal, que um especialista, como Christian Lagrave, afirma que esse livro “conseguiu realizar o que outrora foi a ambição de Mons. Jouin, o fundador da Revista Internacional das Sociedades Secretas” (Ch. Lagrave, posfácio, p. 1 65), isto é, desmascarar cientificamente o complô anticristão. Todos os contrarrevolucionários devem estudar e meditar esse livro, que revela uma parte do mistério da iniquidade. A história é iluminada sob uma nova luz, quando se considera a existência oculta da religião dos adoradores do diabo.

Mais além das aparências, o verdadeiro significado de fenômenos recentes, como a globalização e a formação da União Europeia, é revelado à luz da atividade satânica: “Os maçons deliberadamente preparam o reinado do Anticristo. A consequência necessária, ou talvez o pré-requisito desse reinado, é o estabelecimento de um Estado mundial” (Ch. Lagrave, posfácio, p. 173). Além disso, a atividade anticristã da maçonaria não é simplesmente um desvio devido a algumas lojas ateias. Mr. Lozac’hmeur mostra que toda a maçonaria é satânica, porque todos os maçons são filhos da viúva e todas as lojas baseiam seus rituais sobre o mito de Hiram / Satanás e seus corolários.

Hoje, pode parecer surpreendente ver a seita maçônica em declínio. Desde alguns anos o seu caráter secreto tem sido publicamente denunciado na Grã-Bretanha. Na França, as lojas desabam sob seus próprios malfeitos financeiros e processos judiciais. No Canadá francofônico faltam candidatos à iniciação. É difícil saber o motivo, mas é possível que a seita, tendo concluído o seu papel, não seja mais útil. Abandonada por Satanás como uma ferramenta supérflua, ela perdeu o seu poder e tornou-se o joguete de ambições humanas. É talvez o que aconteceu com a União Soviética: cumprida a sua tarefa (espalhar os erros socialistas), não tem mais razão de ser. Agora seria preciso passar para uma nova etapa dialética, criar uma nova antítese que se oponha à tese em vigor. É assim que avança a Revolução, a golpes de “tese – antítese – síntese”. Ignorar esta tática é correr o risco de estar desatualizado para o combate.

Porque um novo golpe se prepara, uma nova etapa deve ser percorrida. A maçonaria preparou bem o terreno para a fase final. É necessário que as nações desapareçam, que a unidade primitiva da humanidade seja refeita, que o Anticristo seja adorado em todo o mundo. Sem dúvida, um grande desastre, uma nova guerra mundial, permitirá atravessar essa etapa. O Islã – velho inimigo do nome cristão, contra o qual, graças à Santíssima Virgem, tinham triunfado heróis como São Pio V, João Sobieski, São João Capistrano, Dom João D’Áustria –, será ele a nova antítese? Uma segunda vida está sendo nele infundida, e depois de o Ocidente importar massivamente muçulmanos, tratam agora de provocá-lo e de criar o ódio entre os povos. É, aliás, o plano das seitas – uma terceira guerra mundial provocada por um conflito entre judeus e muçulmanos – de acordo com o maçom satanista Albert Pike (carta a Mazzini, 1871).

Como acontece habitualmente com o demônio, a maquinação é perfeita e “nada, aos olhos humanos, seria capaz de impedir a realização do Plano” (Jean-Claude Lozac’hmeur, “Da Revolução”, p. 169). Mas nada é impossível para Deus, e se os católicos, ainda que sendo um punhado, empregassem a mesma energia e a mesma perseverança como a dos adoradores do diabo, estes seriam desbaratados e seus projetos reduzidos a nada.

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Jean-Claude Lozac’hmeur : Fils de la veuve – Recherches sur l’ésotérisme maçonnique

Nouvelle édition revue et complétée – Éditions de Chiré, 2002, 288 p.

PerenialismoTextos

admin • 9 de junho de 2017


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