Mosteiro da Santa Cruz

Mosteiro beneditino tradicional em Nova Friburgo/RJ

Sermões: 14º Domingo depois de Pentecostes (sem data)

Sermão proferido por Dom Tomás de Aquino OSB. Desejou-se, tanto quanto possível, conservar em sua escrita a simplicidade da linguagem oral.


PAX
XIV Domingo depois de Pentecostes (sem data)

“Não podeis servir a dois senhores”, nos diz Nosso Senhor no Evangelho de hoje.

Estão no mundo dois exércitos, dois estandartes, o exército de Nosso Senhor e o exército do demônio. No estandarte do demônio está escrito “honras, prazeres e riquezas”. Eis o que procura o mundo, inimigo de Deus. Eis o que procuramos nós quando não seguimos as inclinações da graça e si as sugestões do demônio, do mundo e da carne.

No estandarte de Nosso Senhor está escrito: “pobreza, mortificação e humilhações”. Nosso Senhor foi o primeiro a dar o exemplo. Quem mais que Nosso Senhor amou a pobreza, a mortificação e a humildade? É com Ele e só com Ele que nós poderemos aprender a amar estas três virtudes. Foi com ele que os santos aprenderam a amá-las.

São Pio X ia para a escola levando os sapatos nas costas para não gastá-los pelo caminho, pois ele nasceu e viveu pobre como Nosso Senhor. Quando ele foi papa, o governo francês, um governo composto de homens inimigos da Igreja, tentou dobrar São Pio X às suas exigências. O governo da França queria submeter a Igreja a seus desígnios para melhor destruir a Fé na alma dos franceses. Para ficar certo da vitória, o governo francês ameaçou tomar os seminários, os mosteiros, as casas paroquiais, os palácios episcopais, os hospitais, numa palavra, todos os bens da Igreja na França, se o papa não desse a eles o que eles exigiam. São Pio X, que punha sua confiança em Deus e não nos homens, disse para os bispos franceses: “Não cedam, percam tudo, mas não cedam diante deste governo que odeia o nome católico”.

Mais tarde, os maçons confessaram: “Nós esperávamos tudo, menos isso”.

A Igreja na França perdeu as igrejas, mas guardou a integridade da Fé a liberdade indispensável ao seu ministério. Assim devemos fazer nós. Devemos nos contentar com o necessário e dispensar o supérfluo. Devemos servir a Deus e não a Mamom, isto é, ao dinheiro, aos bens desse mundo, do qual o demônio é o príncipe.

Os bens de um católico são a graça divina, são os sacramentos, é a Santa Cruz, é o Imaculado Coração de Maria, é o Sagrado Coração de Jesus, é a Santíssima Trindade. Eis os nossos bens, eis o que devemos procurar.

“Procurai primeiro o Reino dos Céus e a sua justiça”, nos diz Nosso Senhor, “e o resto vos será dado por acréscimo”.

No último concílio, os chamados progressistas procuraram algo impossível. Eles quiseram se entender com os inimigos da Igreja. Eles quiseram servir a Deus e ao mundo. Eles disseram que o católico pode pensar e viver como o mundo pensa e vive. Eles aprovaram o que Nosso Senhor desaprova. Eles contrariaram o ensinamento de Nosso Senhor, dizendo: “Sirvamos a dois senhores, sirvamos a Deus e ao mundo”… a Deus e ao demônio.

E assim eles aprovaram o ecumenismo, dizendo que qualquer religião é boa, e esqueceram-se do que diz o salmo: “Os deuses dos pagãos são demônios”. Eles aprovaram a liberdade religiosa, dizendo que o Estado deve ser neutro em matéria de religião, e esqueceram-se que Nosso Senhor é o Rei das nações e que foi pela realeza social de Nosso Senhor que os mártires do século XX morreram no México e na Espanha, clamando “Viva Cristo Rei!”.

Assim, querer servir a dois senhores é servir ao demônio, pois é ter um coração dividido, um coração que não é reto nem sincero. Quanto a nós, procuremos amar a Deus sobre todas as coisas. Procuremos amar o reino de Deus e sua justiça e abandonar todo o resto nas mãos de Deus.

Deus é nosso Pai. Assim como Ele protegeu os santos no passado, assim Ele nos protegerá agora e sempre. Deus cuida tanto mais de nós quanto mais nós confiamos n’Ele.

A confiança obtém tudo de Deus. Deus quer que vivamos sem outra preocupação que a de amá-Lo, de todo o nosso coração, de toda a nossa alma, de todas as nossas forças, de todo o nosso espírito, e o próximo como a nós mesmos.

Que Nossa Senhora nos obtenha a graça de agir assim e de receber todo o resto por acréscimo. Assim seja.

Dom Tomás de Aquino O.S.B.

Arsenius • 10 de setembro de 2017


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