Mosteiro da Santa Cruz

Mosteiro beneditino tradicional em Nova Friburgo/RJ

Sermões: 23º Domingo depois de Pentecostes (2012)

Sermão proferido por Dom Tomás de Aquino OSB. Desejou-se, tanto quanto possível, conservar em sua escrita a simplicidade da linguagem oral.


PAX
XXIII Domingo depois de Pentecostes (2012)

 

Pe. Emmanuel enumera três colunas:

Doutrina;

Liturgia;

Modéstia.

Doutrina. Doutrina transmitida por palavras, como Nosso Senhor nos ensinou. Nosso Senhor fez muitas coisas quando esteve nesse mundo, antes e depois de morrer no Calvário. Mas aos apóstolos ele disse: “Ide e ensinai a todas as criaturas, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Logo, a primeira coisa é ensinar. Tudo começa com a doutrina. É a doutrina que importa pregar. O exemplo atrai, arrasta mesmo, mas ele não substitui a doutrina. É preciso o catecismo. É preciso começar do começo.

Quem é Deus?

Quem é Jesus Cristo Nosso Senhor?

Quem é a Santíssima Virgem?

O que é o pecado?

O que são a morte, o juízo, o Inferno e o Paraíso?

Depois da doutrina, o Pe. Emmanuel punha a Liturgia. Escutemos São Pio X nos dizer o que pensa a Igreja sobre a Liturgia: “Nosso mais vivo desejo é que o verdadeiro espírito cristão refloresça de todas as formas e se mantenha em todos os fiéis. É necessário velar, antes de tudo, pela santidade e dignidade do templo onde os fiéis se reúnem para aurir (isto é, receber) este espírito na sua fonte indispensável, ou seja, na participação ativa aos mistérios sacrossantos e na oração pública e solene da Igreja”. Certamente estas palavras de São Pio X devem lhes parecer bem difíceis de entender, ao menos para alguns. Vamos então explicá-las com outras palavras.

A Liturgia são as cerimônias que se fazem dentro da Igreja. A missa, por exemplo, é uma cerimônia. Ela é mesmo a mais importante de todas. Nela nós encontramos a fonte principal do espírito católico. Como assim?

É assim porque o espírito cristão consiste em imitar Nosso Senhor e é na missa que nós temos duas coisas essenciais de Nosso Senhor:

1º – o Seu sacrifício

2º – a comunhão

Ora, é de Seu sacrifício que nos vem a salvação e a santificação. Retirai o sacrifício e este mundo cai num abismo de ódio e de loucura. Logo, é na missa que nós encontramos a fonte do verdadeiro espírito católico, a fonte primária e indispensável, como diz São Pio X.

Modéstia. Esta virtude tão desprezada pelo mundo moderno, tão ridicularizada pelo mundo moderno, pouco compreendida mesmo por alguns católicos, mesmo por todos nós, para dizer a verdade, é uma pérola rara. Compreender uma virtude que seja, praticá-la na perfeição, é o próprio dos santos. Para nós, nós a praticamos mal, porque não somos santos, mas procuremos sê-los. Tudo isto nós o dissemos como introdução à missa de hoje.

Voltemos nossos olhares para a Liturgia de hoje, ou seja, os textos da missa de hoje. Nestes últimos domingos depois de Pentecostes a Igreja reza com as orações que os israelitas cativos em Babilônia rezavam. Em punição pelos seus pecados, a Igreja de Israel foi entregue a tiranos que arruinaram o templo, pilharam e queimaram Jerusalém e levaram em catividade todo o povo de Israel. Levaram todo o povo para uma terra longínqua que se chama Babilônia.

Nos últimos tempos, a Igreja católica, ela também, em punição pelos pecados de seus filhos, será entregue a tiranos que a despojarão de seus bens, que abafarão sua voz, que tentarão impedir a oblação do santo sacrifício e farão tudo para que a Igreja não possa mais trabalhar na salvação das almas.

Estes tempos serão duros. Nosso Senhor diz que jamais haverá semelhante tribulação. É necessário reconhecer que estes tempos já começaram. Basta ver como estão as leis, as escolas, os governos, as famílias, as músicas, as modas, as conversas na rua. Tudo isto nos indica que a última hora não deve estar muito longe. Escutemos, pois, a voz de Deus que nestes momentos tão duros nos diz palavras de consolo, com as quais começa a missa de hoje, cujo introito é o seguinte: “Meus pensamentos são pensamentos de paz e não de aflição. Vós me invocareis e Eu vos atenderei e Eu vos trarei de volta de vosso cativeiro”. E que pensamentos de paz são estes? Estes pensamentos de paz são os pensamentos da Santa Cruz.

São Paulo nos diz hoje: “Muitos andam, como já vos disse muitas vezes e agora vos digo com lágrimas, muitos se comportam como inimigos da cruz de Cristo”. Quereis a paz em vossos corações? E a paz em vossos lares? A paz nas paróquias? Nos mosteiros? Nos conventos? Nas escolas? Sejam amigos da cruz.

Um amigo da cruz é um heroi, é um homem escolhido entre mil, é um anjo sobre a Terra. Um anjo de luz é um outro Jesus Cristo sobre a Terra. É um homem todo divino, todo transformado. É um santo.

E São Paulo nos diz com tanto carinho, tanta afeição, ele nos exorta a sermos amigos da cruz. Assim, as palavras de paz de Nosso Senhor serão uma realidade em nossas vidas. Nós precisamos

Da Doutrina;

Da Liturgia;

Da Modéstia;

E todas estas três colunas se resumem numa só: precisamos ser amigos da cruz como Nosso Senhor o foi e morrendo sobre ela nos obteve a salvação.

Que assim também possamos amá-la e morrer com ela para obter a salvação e a salvação de muitos, pela intercessão de Nossa Senhora, Mãe de Deus, ela que junto com seu Filho, se ofereceu ao Pai por nós e se tornou a Corredentora do gênero humano. Que ela nos faça amar a cruz. Assim seja.

Dom Tomás de Aquino O.S.B.

Arsenius • 12 de novembro de 2017


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