Mosteiro da Santa Cruz

Mosteiro beneditino tradicional em Nova Friburgo/RJ

A Resistência dos Pais de Família contra a Revolução

 

Extraído do canal Assoc. Fronteira Católica

 

Conferência baseada no livro “O Marido, O Pai, O Apóstolo” do Padre de Gibergues, Superior dos Missionários Diocesanos de Paris, reeditado pelas Escravas de Maria em 2012.

Obs: O texto é muito próximo do que está no livro, sendo praticamente um resumo deste com alguns pequenos acréscimos.

 

INTRODUÇÃO

Há no livro de Mons. Marcel Lefebvre Do Liberalismo à Apostasia uma famosa definição de Revolução de autoria do Monsenhor Gaume, no caso uma definição que a própria Revolução dá de si mesma: “Sou o ódio por toda ordem que não tenha sido estabelecida pelo homem e na qual ele não seja ao mesmo tempo rei e deus”. Gostaria de abordar o que se poderia fazer na prática para resistir a essa revolução, e o que se pode fazer é algo que pode ser sintetizado da seguinte maneira: mediante o cumprimento do dever. Cumprindo o nosso dever estaremos resistindo à revolução, cumprindo o nosso dever estaremos instaurando tudo em Cristo, pois se é preciso instaurar tudo em Cristo, como diz o lema do Papa São Pio X, esse tudo começa por nós e por nossa casa. Um dia prestaremos conta de tais deveres diante de Deus. Devemos relembrar constantemente tais deveres e para isso gostaria de dar uma pequena contribuição nesta palestra.

Tal dever deve ser cumprido em três âmbitos, de modo que há o papel de marido, o papel de pai e o papel de apóstolo. Três funções que a maioria dos homens é chamada a desempenhar de modo simultâneo e ao longo de grande parte de sua vida. Por isso é importante conhecer cada um desses papéis, saber a finalidade de cada um e como integrá-los na finalidade última da vida humana: a vida eterna.

Tudo o que nos cerca, das coisas que enxergamos às coisas que ouvimos; das idéias que apenas vislumbramos aos chavões repetitivos; enfim, a quase totalidade da expressão atual do mundo moderno direciona o homem para longe da sua finalidade, como uma força insistente, que não apenas quer impedir o homem de alcançar a sua finalidade, mas se possível fazê-lo esquecer até mesmo que possui uma. Esse esquecimento é, muitas vezes, completo, brutal, escandaloso, e, não fosse a graça de Deus, seríamos tentados a dizer: irreversível! Sim, é lamentável dizê-lo, mas o homem atual já não sabe para que existe!

Do esquecimento de Deus e de sua Igreja segue-se, obviamente, o esquecimento de tudo o que é importante para a vida humana; inversamente, basta que Deus e Sua Igreja sejam lembrados para que na memória humana seja restaurado o sentido da existência.

E para que não caiamos nessa correnteza avassaladora de esquecimento, precisamos lembrar sempre daquelas missões com as quais Deus nos incumbiu, para que se cumpra a finalidade última do ser humano: a salvação eterna.

 

O MARIDO

 

A figura do marido está inserida num âmbito mais amplo que é a família. Antes de falar, portanto, da vocação do marido falemos um pouco sobre a família. Ora, se queremos restaurar a moral do evangelho, é sobretudo pela família que devemos começar; bem como se queremos entender as razões da decadência atual é sobre a família que devemos voltar os nossos olhares. Santa Teresinha, cuja família, como é sabido, é um modelo, tem uma frase muito bonita neste sentido: “Alegro-me por combater em família para a glória do Rei dos Céus”.

A família planejada por Deus começa com o contrato pelo qual se forma a sociedade conjugal, elevada por Jesus Cristo à dignidade de matrimônio. A graça que recebem nesse sacramento não é uma graça momentânea e única, mas é como se fosse um canal de graças, uma fonte de graças, donde jorram contínua e diariamente as graças necessárias para que os esposos cumpram todos os seus deveres. Qual não é hoje o desprezo por essa generosidade de Deus? Deliberadamente escolhe-se não casar na Igreja, o que, objetivamente falando, nada mais é que rejeitar as graças que Deus reservou para o berço dessa realidade tão sagrada que é a família. Qual não é, pois, a culpa daqueles que se aproximam do sacramento do matrimônio sem uma séria preparação, sem uma séria confissão? Ousam constituir sua família com um sacrilégio. Por isso devemos levar extremamente a sério a preparação para o matrimônio, com uma vida realmente católica.

O matrimônio tem a dupla finalidade de servir à procriação e educação dos filhos (finalidade primária) e ao amor mútuo. No entanto essas duas finalidades estão submetidas a uma finalidade mais alta, que é a finalidade mesma de todos os seres humanos: a vida eterna. Por isso o matrimônio deve aperfeiçoar as pessoas que nele estão envolvidos: aperfeiçoar os esposos, tornando-os mais virtuosos, mais santos, mais inteligentes, mais tementes a Deus; aperfeiçoar também os filhos através de uma educação verdadeiramente católica. Pois a família, sendo pensada por Deus e não apenas um produto aleatório da cultura, é o meio mais eficaz de conduzir o homem à santidade, pois é no meio familiar que devem-se receber os alicerces que formarão o nosso caráter; de boas famílias podem vir muitas vocações, o que é fundamental para resistir aos problemas atuais.

Comecemos a falar agora especificamente do marido. A mais fundamental de todas as tarefas do marido é conhecer-se e dominar-se a si próprio. Nesse pequeno princípio está contida toda a moral, se fizer isso tornar-se-á melhor, mas quem o ajudará nessa tarefa? Sua mulher. Fazendo-o enxergar suas falhas, sua responsabilidade, seus defeitos, ela o ajudará a fazer aquilo que até então ele não havia sequer enxergado. Assim sua esposa o ajudará a vencer, proporcionando ocasiões diárias de renúncias, de sacrifícios, de exercício da paciência. Deve para isso espelhar-se em Jesus Cristo que pela sua Igreja derramou seu sangue, sacrificou sua glória (a glória de que gozava no seio de Seu Pai, e a glória humana, de que poderia ter-Se revestido), sacrificou seu repouso, seu corpo, sua vida; não recuou perante nenhum sacrifício.

No matrimônio o papel do marido é de ser a cabeça, o chefe. É ele que tem o poder, a autoridade, a direção e deve usá-la para os fins do matrimônio. Muitos esquecem que o exercício da autoridade não é apenas um direito, mas também um dever, de que lhes serão pedidas contas. Assim abdicam dessa autoridade e se recusam a exercê-la. Alguns é por fraqueza; outros por incapacidade; outros por indiferença; alguns por orgulho; enfim por egoísmo e preguiça. Deixam assim de cumprir sua responsabilidade na educação intelectual, moral e religiosa de sua mulher. O marido tem grande responsabilidade na formação de sua mulher: formação intelectual, moral e religiosa. As mulheres necessitam dessa direção e a influência exercida pelo marido no caráter da mulher é realmente muito grande. É preciso que o marido use sua autoridade para afastar sua mulher do mal e encaminhá-la para o bem; é preciso que resista aos seus caprichos (se houver); é preciso que a incentive para o bem, em suma, deve fazer de tudo para encaminhá-la bem.

Não devemos esquecer que essa autoridade, para ser exercida conforme a vontade de Deus, deve ter algumas qualidades. A primeira qualidade que deve derivar da autoridade é a justiça. Que deplorável para uma mulher piedosa ver-se dividida entre Deus e o marido, caso o marido queira dela algo contrário à lei de Deus! Se o conflito for insolúvel desobedecerá ao marido, quebrando a harmonia conjugal, ou então desobedecerá a Deus caminhando para a ruína total de suas vidas. Se o marido não souber preservar sua mulher do mal, ele será a primeira vítima do seu erro.

A segunda qualidade que deve ter a autoridade é a dignidade, a autoridade deve ser digna e deve ser exercida por alguém digno, a exemplo do próprio Deus que é digno em grau sumo e cuja autoridade é igualmente digna. Que os exemplos e virtudes do marido correspondam às suas ordens.

A autoridade deve ser exercida de modo temperante, não cabe ao marido se intrometer em todos os assuntos e detalhes que mais legitimamente tocam à mulher. E por fim deve ser pacífica, pois a paz é a tranquilidade da ordem, sem arrebatamentos e violências, que poderia provocar o temor, mas não a sincera obediência. Deve ser também exercida cheia de ternura e de afeição, uma afeição sobrenatural e benévola.

Assim haverá uma grande concórdia, de modo que o marido e a esposa realizarão juntos muitas atividades tendo sempre em vista aqueles interesses eternos dos quais já falamos. A sua vida intelectual, moral e religiosa será realmente uma só vida.

Terminemos então essa parte, levando para a nossa prática diária o propósito de fazer as nossas obrigações como Ele quis que fossem feitas, viver como Ele quis que vivêssemos. Levar essa palavra para outras pessoas, ajudando a reconstruir os costumes, a fé, a vida intelectual do nosso país, pois toda essa enorme reconstrução passa pela reconstrução da família, na qual um dos papéis que nós homens exercemos é o papel de marido.

 

O PAI

 

Quem poderá louvar suficientemente a paternidade, esse atributo próprio da Divindade? Quis Deus em sua imensa sabedoria e generosidade conceder ao homem um pouco de suas atribuições criadoras, assim sendo concedeu ao homem o poder de dar a vida. Poderia Deus ter elevado o homem a uma altura maior? Conquanto a natureza angélica seja, absolutamente falando, superior à natureza humana, podemos dizer que o homem possui algumas prerrogativas que nem o anjo tem: uma delas é o fato de Deus ter assumido a natureza humana e não a natureza angélica; outra é o fato de o homem ser um resumo do universo (semelhança com o mineral, com o vegetal, com o animal e com o próprio anjo); e outra, a que mais nos interessa no momento, é o fato de o homem poder ser pai.

Desde a origem do mundo o nome de “pai” é o nome mais belo depois do nome de Deus: temos como exemplo a palavra “pátria”, lembremos também que para expressar a dignidade de qualquer um que tenha prestado algum serviço nobre em alguma área, sempre se utilizou o nome de “pai”, assim temos os patriarcas do antigo testamento, os padres da Igreja, o próprio nome do chefe da Igreja: Papa. Além disso, Jesus Cristo, quando quis nos ensinar a rezar, não encontrou uma palavra mais sublime que a palavra “Pai”. Podemos dizer, de certo modo, que nada existe nessa terra de mais sublime que a paternidade humana, que é comunicação e figura da paternidade divina, origem e modelo de toda a autoridade, de todo bem e de toda a grandeza.

Para termos uma idéia ainda mais clara da grandeza da paternidade, podemos pensar na repugnância que temos ao pensar num pai que tenha pisado de modo infame nesse seu dever augusto, não é ele incluído mais do que depressa na classe dos monstros? Não mostra a grandeza de sua queda a altura da qual caiu? Lembremos aqui daquela famosa máxima: a corrupção do ótimo é o péssimo.

Tendo semelhante dignidade a missão do pai só pode ser uma missão sagrada que consiste basicamente em dois deveres: o dever de dar a vida e sustentá-la e o dever de educar. O pai deve saber que recebeu de Deus o dever de multiplicar a vida e que deve confiar em Deus e abandonar os temores infundados que poderia nutrir, pois há momentos na vida em que é preciso ser herói ou mártir para cumprir o dever. Logo não se deve limitar o número dos filhos. Que pensar de pais avarentos, ambiciosos, egoístas, descrentes da providência, que põe de lado a finalidade da união conjugal e rejeitam a paternidade como um fardo? Olhai que a paternidade não pode ser respeitada sem gerar o que há de melhor nem descumprida sem gerar o que há de pior.

Após o dever de dar a vida vem o dever de aperfeiçoá-la, de engrandecê-la através da educação. Tirar o filho do jugo do pecado original, da influência do mundo e da escravidão do demônio. Ensiná-lo a vencer suas paixões e tornar-se senhor de si mesmo, revesti-lo de Jesus Cristo, fazer dele um bom católico, quiçá um santo. Completar nele a semelhança divina para a qual ele foi criado, conduzindo-o ao grau e estado de perfeição a ele destinado e enfim à morada eterna.

A educação após a queda revestiu-se de um caráter redentor, pois Deus havia criado o homem perfeitamente educado, foi Jesus Cristo quem restaurou essa educação através de seu sacrifício, e continua essa obra redentora através dos sacramentos, de modo que a redenção tem também um papel educador.

Desde a mocidade já devem os varões pensar na educação de seus filhos, através de estudos, planejamentos e reflexões. Mas quem se ocupa com isso? Assistimos hoje ao triste espetáculo de ver os pais confiarem os filhos a cuidados mercenários desde a mais tenra idade, sem nenhuma fiscalização, para continuar na sua vida de prazeres. Mas supondo que haja ainda pais que queiram educar seus filhos, o que deve fazer de concreto para levar a cabo tão pedregosa empreitada?

A necessidade da correção é consequência imediata do pecado original. Para levá-la a cabo com propriedade são necessárias quatro qualidades: a perspicácia, a firmeza, a bondade e a concórdia mútua. A Bíblia diz: “quem poupa a vara odeia seu filho”. Porque é mais difícil querer do que saber; e se os pais não querem saber, é porque o saber condená-los-ia a querer. Quem não tem querer, não sabe mandar nem proibir, nem, o que é capital, obrigar as crianças a quererem. A firmeza dever ser justa e paciente. Justa para mandar, segundo o dever, o bem, as forças da criança: deve ser uma firmeza elevada, sobrenatural, proporcionada. Os pais devem combater o próprio mal e não os defeitos que os incomodam; devem corrigir as inclinações da criança, porque são viciosas e não porque os fazem sofrer.

Sem religião não há educação possível. Deve-se imprimir fortemente os sentimentos religiosos desde a mais tenra idade, pois os primeiros sentimentos são os mais indestrutíveis. Desde o primeiro despertar da razão deve-se falar da fé, da constante vigilância de Deus, do sacrifício de Nosso Senhor, do céu, do purgatório, do inferno, da Paixão de Cristo. Ensinai-as a amar o dever, a pátria, a Igreja, a Virgem Santíssima, as virtudes. Ensinai-as a orar seriamente e nunca de brincadeira. Conduzi-as cedo ao catecismo, guie-as com solenidade para fazer a primeira confissão. Ensinai-as com vosso próprio exemplo, pois quando a criança vê o pai rezando compreende melhor a majestade de Deus, deixai, pois, que a criança testemunhe vossa caridade, dedicação, mortificação.

Escolhei com critério o lugar onde colocar a criança para estudar. A responsabilidade nesse caso é grande, pois nunca se deve abdicar dos direitos que os pais têm à vigilância sobre a educação que se ministra aos seus filhos. Deve-se preservar os filhos das leituras perigosas, dos maus companheiros e da ociosidade. O bom aproveitamento do tempo é um verdadeiro campo de batalha no tempo de dissipação em que vivemos.

Causa tristeza ver atualmente a decadência da autoridade paterna. A expressão “família patriarcal” tornou-se pejorativa. Juntamente com esses louvores desmedidos à igualdade veio a rejeição da autoridade como opressão. Mas não se enganem, a autoridade nunca deixa de existir, apenas muda de detentor, de modo que se o homem deixa de seguir as leis de Deus, não fica senhor de seu destino, senão que entrega as rédeas de sua vida ao demônio.

 

O APÓSTOLO

 

            Antes de falar do apóstolo, falemos do inútil. O servo inútil é aquele que se contenta com uma moralidade medíocre (não mato e não roubo, como se houvesse apenas dois mandamentos), contentando-se em não fazer o mal; aquele que guarda os dons recebidos de Deus sem fazê-los frutificar; que desperdiça sua fortuna para satisfazer suas paixões; que emprega seu tempo apenas em prazeres. Esse inútil será condenado sem piedade por seis tribunais: o tribunal de Deus, do evangelho, da razão, da sociedade, da natureza e de seus próprios interesses.

A vida inútil é condenada por Deus. Até mesmo antes do pecado Deus havia feito o homem para trabalhar (a noção de trabalho aqui é ampla: “todo trabalho útil, todo o emprego do corpo ou da alma, para o bem e a felicidade dos outros”), depois do pecado essa obrigação foi renovada ainda mais formalmente. A vida inútil é condenada pelo Evangelho, como nos mostra a passagem da figueira estéril e a do servo preguiçoso. O servo preguiçoso não representa apenas aquele que desperdiça, no serviço de Deus, os bens materiais, mas também aquele desperdiça os talentos da inteligência e os dons sobrenaturais. Aqui é oportuno lembrar das obras de misericórdia corporais: dar de comer a quem tem fome; dar de beber a quem tem sede; vestir os nus; dar pousada aos peregrinos; assistir os enfermos; visitar os presos; enterrar os mortos e das obras de misericórdia espirituais: dar bom conselho; ensinar os ignorantes; corrigir os que erram; consolar os aflitos; perdoar as injúrias; sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo; rogar a Deus por vivos e defuntos. A vida inútil é condenada pela razão, pois ela mesma nos diz que devemos dar a cada um o que é devido, portanto inutilizar a própria vida é roubar de Deus, que tudo nos deu (inclusive seu Filho), e, portanto, tem sobre nós direitos absolutos, já que existimos para Deus e não podemos subsistir no Ser senão através do poder e da bondade de Deus. A vida inútil é condenada pela natureza, onde tudo cumpre uma função, desde os astros até a mais ínfima das plantas. A vida inútil é condenada pela sociedade, já que dela recebemos muitas coisas, e se não retribuirmos, ou se ao menos não nos esforçarmos para tanto, podemos nos considerar imensamente ingratos, e estaremos deixando de cumprir o mandamento de amar ao próximo como a nós mesmos por amor a Deus. Nosso Senhor Jesus Cristo nos deu o exemplo, pois as mãos daquele que foi pregado na cruz são as mãos de um trabalhador.

O inútil é um escândalo para a sociedade, e por isso uma ameaça para a existência desta; é um fermento perpétuo de revolução, um perigo de morte. A vida inútil é contra o próprio interesse do inútil, pois esse tipo de vida avilta a sua inteligência, avilta seu caráter, tornando-o alguém sem firmeza, alguém incapaz de qualquer sacrifício ou esforço. Enfim a vida inútil é uma vida sem merecimentos, sem valor aos olhos de Deus, e perdida para o céu.

Falemos agora do apóstolo. A evidência mostra que o católico, além de seus deveres familiares, tem deveres também para com a sociedade e para com a Igreja, tem o dever de trabalhar pelo Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo. E tais deveres têm hoje um caráter urgente, basta olhar para as ruínas ao nosso redor para constatar isso. O dever universal e atemporal do apóstolo é amar o próximo, mas em cada tempo isso pode ser exercido de forma diferente. Vamos dar uma breve sugestão de como exercer esse dever universal na conjuntura atual em que vivemos.

A primeira condição do apostolado no mundo moderno é revestir-se dos conhecimentos necessários, isto é, o apostolado no mundo moderno é uma obra principalmente de inteligência, de esclarecimento, de combate à confusão, obviamente naquilo que é adequado a nós enquanto leigos e pais de família. Os apóstolos da hora presente devem ser homens de luz, testemunhas da verdade, de saber, de convicções. Estar revestido de um catolicismo preciso e completo, único capaz de renovar a sociedade.

A segunda condição que poderíamos elencar é o desinteresse, a abnegação, a exemplo de Jesus Cristo que não encontrou em sua missão nenhuma vantagem humana, pelo contrário recebeu apenas execrações e punições severas.

Munidos dos ensinamentos sólidos da Santa Igreja quantos erros não poderemos destruir? Quantas pessoas não são hostis à Igreja devido apenas a uma visão distorcida que se pode mudar com um simples esclarecimento? Ainda: quantos católicos afastados da prática cristã não podemos ajudar, mostrando a beleza da Igreja que muitos nem imaginam?

Só a caridade, compensando pelo sacrifício voluntário, as injustiças cometidas, assegurará a estabilidade e a paz social. Só ela unirá os corações, as almas, o país, ensinando aos poderosos a dedicação e o socorro efetivo; e concedendo aos fracos a resignação, o perdão e a paciência.

O mundo atual está invadido pela peste do erro semeada pelos esforços dos maus. Já não é possível ficar indiferente sem ser culpado de contribuir com essa desgraça. É, pois, ao redor da cruz que devemos nos agrupar, marchar com Jesus como soldados, heróis e se preciso for como mártires.

 

OBRIGAÇÕES DOS CHEFES DE FAMÍLIA

 

1- Sustentar a família conforme o próprio estado.

2- Não dissipar os bens da família em jogos nem em vaidades.

3- Pagar pontualmente o ordenado dos empregados.

4- Vigiar sobre os costumes de seus filhos e dependentes.

5- Procurar que frequentem a palavra de Deus.

6- Corrigi-los com prudência.

7- Castigá-los sem paixão de ira, etc.

8- Tratá-los com benevolência.

9- Tê-los ocupados.

10- Assisti-los em suas doenças.

11- Edificá-los com o bom exemplo.

12- Encomendá-los a Deus, e proporcionar-lhes bons mestres, patrões, etc.

13- Procurar a devida separação entre filhos e filhas, e pessoas de diferente sexo.

14- Não admitir pessoa alguma que possa, com suas conversações, ou de qualquer outra maneira, ser motivo de escândalo à família.

 

Ao que gostaríamos de acrescentar a oração do Rosário e o estudo do catecismo em família e a meditação (chamada também de oração mental).

 

CONCLUSÃO

 

Termino aqui a minha palestra e espero ter contribuído para a resistência contra a Revolução, resistência que, com a graça de Deus, há de ser verdadeira vitória contra a mesma Revolução.

admin • 16 de dezembro de 2020


Previous Post

Next Post

Translate »