Mosteiro da Santa Cruz

Mosteiro beneditino tradicional em Nova Friburgo/RJ

Mês de Maio

 

Por Gustavo Corção, publicano n’O Globo em 10-5-75

 

MÊS DE MAIO, mês de Maria. Mais do que nunca, em toda a história do cristianismo, precisamos reforçar o culto mariano. Só a Mulher forte poderá hoje pisar a cabeça do dragão que devora a civilização e quer destruir a casa de Deus. Desde a vitória de Lepanto, comandada por Pio V com o Rosário nas mãos vê-se que a sorte da civilização cristã oscila segundo a maior ou menor devoção à Virgem Santíssima que tantas vezes apareceu para reconduzir os homens à doutrina e ao exemplo de seu Filho Crucificado. Em Sallete, Lourdes, na rue du Bac à Catarina Labouré, e em Fátima aos três pequenos pastores, insistentemente a Virgem Santíssima adverte o mundo e reclama os divinos direitos de seu filho; insistentemente respondo-lhe uma civilização ímpia com os “direitos do homem” desligados dos mandamentos de Deus. Uma das primeiras coisas feitas pelos reformistas do concílio dito pastoral e ecumênico, antes das alterações mais profundas da liturgia, foi o corte das 3 Ave Marias rezadas no fim da missa, instituídas por Leão XIII (como também a oração a S. Miguel Arcanjo), e mais tarde recomendadas por Pio XI na intenção da conversão da Rússia. No dia tenebroso dessa supressão escrevi um artigo dizendo: de hoje em diante rezar-se-ão menos milhões de Ave Marias no mundo inteiro! Os resultados estão aí. Cabe-nos agora a todos nós, leigos ou clérigos, clamar pela restauração de um culto decisivo para a sorte do mundo. E é oportuníssimo lembrar que não foram somente a visão profética de Leão XIII, e a experiência dolorosa de Pio XI nos socorros prestados à fome na Rússia e na luta contra o comunismo, as fontes animadoras de um maior fervor mariano. Depois dos dois Papas a própria Virgem falou em Fátima e explicitamente denunciou o veneno mortal que a Rússia comunista espalharia no mundo. A história é conhecidíssima, e esquecidíssima. Por isso aqui repetimos as palavras que a menina Lúcia ouviu em julho de 1917, meses antes do triunfo da Revolução russa. Tiro-as da excelente publicação em 3 línguas das Memórias e Cartas da Irmã Lúcia:

 

“Em seguida, levantamos os olhos para Nossa Senhora, que nos disse, com bondade e tristeza: ‘Vistes o inferno para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no Mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração. Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar. Mas, se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior. Quando virdes uma noite alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai punir o Mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. Para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia ao Meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem aos Meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas. Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia que se converterá, e será concedido ao Mundo algum tempo de paz.’”

 

DEPOIS DE RELEMBRARMOS as palavras que a Irmã Lúcia ouvia de Nossa Senhora de Fátima, na mais maravilhosa e impressionante de todas as aparições da Virgem, corramos os olhos pelo mundo de hoje. O espetáculo mais horroroso no extremo oriente onde já milhões de “suspeitos” são encaminhados para as prisões e para execuções sumárias, e mais ridículo em nossa esquerda intelectual, onde um conhecido colunista ainda pensa que para ter diploma de inteligente é preciso ser antianticomunista, e zombar dos Congressos anticomunistas e dos chineses que vieram de Formosa, esse espetáculo, que em Portugual é especialmente triste já que foi lá que a Virgem Santíssima nos falou, deixa-nos aturdido. Deixa-nos amargurados, quase desesperados. Ora então, diz-nos nosso ingrato coração, de que valeram todas as aparições e milagres se as demonstrações e propagandas de um inimigo cruel e estúpido parecem mais eficazes e mais sedutoras. O cristianismo, em nossos dias, está sofrendo o mais humilhante desafio de sua história: parece-nos não só vencido, mas o que é pior, convencido; parece-nos não só derrubado, mas o que é muitíssimo pior, deformado. Que poderemos nós fazer? Como deveremos nós agir? A idéia de reação e de combate se impõe como obrigação primeira do testemunho de Cristo. Devemos estar dispostos a todas as forças de combate, desde o varapau até a bomba atômica, mas antes de todas as formas de combate devemos saber que não é contra a carne e o sangue que lutamos e sim contra espíritos e potestades, como diz o Apóstolo. E para esse combate muitas são as nossas armas, mas a principal e mais eficaz ainda é a oração. As pessoas que gostam de procurar variedades, segundo o seu gosto, a Igreja sempre atendeu com as devoções que gravitam em torno da Santa Missa. Sem necessidade de introduzir novidade, sempre empobrecedoras na Liturgia da Missa, a Igreja oferece uma enorme riqueza de devoções pelas vozes de seus santos, e agora é a própria Virgem Santíssima quem nos recomenda a arma principal na luta contra os demônios da Antiigreja, a começar pelo Santo Rosário e por todas as demais orações marianas: Salve Regina, Ladainha de Nossa Senhora, Magnificat, Lembrai-vos e tantas outras inventadas pela piedade filial dos santos.

LEMBREI-ME HOJE do especial pedido de Nossa Senhora de Fátima a Lúcia: “Tu ao menos, vê se me consolas. E disse que todos aqueles que durante cinco meses no 1° sábado se confessarem, receberem a sagrada comunhão, rezarem um terço e me fizerem 15 minutos de companhia na meditação dos quinze mistérios do Rosário com o fim de me desagravarem, eu prometo assistir-lhes à hora da morte com todas as graças necessárias para a salvação.”

E COM BASE NO DOGMA da comunhão dos Santos, podemos acrescentar que, por demasia, essa devoção intensificada se infiltrará com mais vigor e muito maior alcance do que as pérfidas infiltrações de erros e de impiedades. Sempre que oferecemos esse desagravo ao Coração de Maria e que rezarmos um rosário, nós metralhamos de graças o acampamento inimigo, e ombro a ombro com Jesus, trabalharemos para a salvação dos povos transviados.

AMIGOS, saturemos o céu de Ave Marias e Padre nossos. Proponho uma idéia singela: a todos os minutos, como quem respira fundo, atira ao ar três Ave Marias na direção da pessoa surgida em sua lembrança. Passarás o dia inteiro, sem prejuízo dos deveres de ofício, a purificar a atmosfera. Se a dor dos homens é grande e confusa, haverá grito melhor do que esses de Mãe! e Pai! atirados ao céu? E ainda acrescento: se muitos multiplicarem essa prática, descobrirão que minha receita é muito mais barata do que a psicanálise. Ave Maria.

admin • 29 de dezembro de 2020


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